27 de mai de 2015

Resenha: O Apanhador no Campo de Centeio, J. D. Salinger

Editora: Editora do Autor
Número de páginas: 208
Data de lançamento: Julho de 1951

O Apanhador no Campo de Centeio narra um fim-de-semana na vida de Holden Caulfield, jovem de 16 anos vindo de uma família abastada de Nova York. Holden, estudante de um reputado internato para rapazes, volta para casa mais cedo no inverno depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso. No regresso a casa, decide fazer um périplo adiando assim o confronto com a família. Holden vai refletindo sobre a sua curta vida, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta definir alguma diretriz para seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si (um professor, uma antiga namorada, a sua irmãzinha) e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça. Foi este livro que criou a cultura-jovem, pois na época em que foi escrito, a adolescência era apenas considerada uma passagem entre a juventudade e a fase adulta, que não tinha importância. Mas esse livro mostrou o valor da adolescência, mostrando como os adolescentes pensam.


Você provavelmente já deve ter ouvido falar das polêmicas em que esse livro se envolve. Que foi o livro que o assassino de John Lennon carregava no dia de sua morte, e como o livro o "influenciou" a realizar tal ato. O livro chegou até a ser proibido nos Estados Unidos.

Esse é um dos clássicos que eu mais queria ler esse ano, e foi provavelmente um dos melhores livros que já li até hoje. 

"Por que é que você não vai logo, em vez de ficar aí dizendo que vai?"

Nosso protagonista é Holden Caulfield, um adolescente de dezesseis anos que foi expulso de um internato. Temendo contar para os seus pais a notícia, ele decide ir embora mais cedo e passar o fim de semana em Nova York antes de ir para casa encarar a realidade.

O livro é narrado em primeira pessoa e segue a linha do fluxo de consciência, que é a grande "magia" da obra. O personagem conta sua história enquanto se perde em pensamentos a respeito dos amigos, família e a sociedade em geral.

"Tenho certeza quase absoluta que ele gritou "boa sorte!". Espero que não. Tomara que não tenha sido isso. Eu nunca gritaria "boa sorte" para ninguém. Se a gente pensa um pouquinho na coisa, vê que um troço desses soa um bocado mal."

Porém, Holden não é um adolescente de dezesseis anos comum. É possível notar, sem sombra de dúvidas, que o garoto está em depressão profunda, constantemente pensando na própria morte e como a sociedade é estúpida. Lendo assim, você talvez ache comum, um adolescente "deprimido", mas somente lendo o livro e conhecendo os pensamentos do personagem que podemos notar a seriedade da situação.

"Há coisas que deviam ficar do jeito que estão. A gente devia poder enfiá-las num daqueles mostruários enormes de vidro e deixá-las em paz. Sei que isso não é possível, mas é uma pena que não seja."

Durante esse fim de semana em Nova York, Holden se mete em confusões, visita antigos amigos e telefona para pessoas importantes, mas sempre acaba aborrecido com alguma coisa que elas falaram ou fizeram. Ou as pessoas acabam aborrecidas com ele, pois é um cara muito sincero e arrogante. E não, ele não é um personagem cansativo. Você se apega tanto a ele e às suas questões a respeito do mundo, que o vê como seu melhor amigo.

Fiquei grande parte do livro me perguntando o por que do título, e a explicação não podia ser melhor. 
Ao ser questionado por sua irmãzinha Phoebe (a pessoa favorita de Holden) sobre o que ele queria ser, se pudesse ser qualquer coisa, Holden pensa durante muito tempo, e finalmente diz que gostaria de ser um apanhador no campo de centeio. Ele imagina várias crianças brincando, de qualquer coisa, num campo de centeio localizado em um precipício, e ele agarrando todos os pequenos que estavam prestes a cair. 

Interprete como bem entender, mas ao meu ver, "cair no precipício" pode ser interpretado como crescer, deixar a inocência para trás e se tornar um adulto "cretino", nas palavras de Holden.

É um livro ame-o ou odeio-o. Não tem meio termo. No meu caso, foi IDOLATRE-O. Com certeza estará na lista dos 10 melhores do ano. Recomendadíssimo.

Por: Mariane

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