2 de ago de 2017

Resenha: Deuses Americanos, Neil Gaiman


Editora: Intrínseca
Número de páginas: 576
Data de lançamento: Junho de 2001

Nesta obra, o autor procurou fazer uma história que envolve um exame do espírito americano, abordando desde a investida da era da informação até o significado da morte. Neil Gaiman oferece uma perspectiva de fora para dentro - e, ao mesmo tempo, de dentro para fora - da alma e espiritualidade dos Estados Unidos e do povo americano - suas obssessões por dinheiro e poder, a miscigenada herança religiosa e suas consequências sociais, e as decisões que eles enfrentam sobre o que é real e o que não é.

          'Deuses Americanos' é meu segundo contato com o premiado autor Neil Gaiman. Você pode conferir a resenha do primeiro livro lido por mim, 'O oceano no fim do caminho', aqui. O post de releitura, que é composto por uma análise mais profunda da obra, pode ser lido aqui.

          Considerado uma das grandes obras de Gaiman, 'Deuses Americanos' é uma fabula que se utiliza de recursos narrativos presentes na maioria das obras do autor. A fantasia e o poder das crenças são aspectos presentes na história, que narra uma suposta luta pela crença dos habitantes dos Estados Unidos, entre deuses "antigos" e "novos". Esses deuses novos são os considerados os deuses americanos do título, uma vez que com o passar dos tempos, passaram a ser idolatrados pela humanidade. Exemplos dessas divindades são a internet, a tecnologia, a televisão, entre outros. Consequentemente, com a ascensão dos mesmos, os antigos deuses (os conhecidos por nós das mais diversas mitologias) acabam sendo esquecidos.

          E é nesse contexto que Shadow, um recém saído da prisão está inserido, uma vez que concorda em prestar serviços para o misterioso Wednesday. Conforme se envolve nas confusões causadas por ele, que é um suposto deus que tem como objetivo unir os deuses antigos para lutar contra os novos, Shadow acaba realizando uma viagem pelos mais diversos locais dos Estados Unidos e descobrindo um lado completamente diferente do país em que vive.

          Além da história de Shadow, o livro é composto de diversos contos dispersos pelo livro, que contextualizam o conteúdo apresentado pelo autor. Confesso que por diversas vezes os contos se mostravam mais interessantes do que a narrativa "principal" da história, com ponto alto para os diálogos bem construídos e personagens cativantes (diferente do protagonista).

          Apesar de longo e muitas vezes arrastado, 'Deuses Americanos' apresenta diversos capítulos eletrizantes e de tirar o fôlego, nos surpreendendo diversas vezes com várias revelações, e apesar do protagonista apático (apesar de ele ter motivos para tal), nos introduz a diversos personagens que brilham na história, sendo eles deuses ou não.

          Uma leitura que valeu a pena e me proporcionou diversos momentos de reflexão. Não é o tipo de livro ao qual estou acostumada, então foi bom dar uma escapada da zona de conforto. Gaiman não me decepcionou, e pretendo dar continuidade na leitura de suas obras.

          Agora estou é ansiosa para conferir a série baseada na obra, que já tem uma temporada completa. Depois talvez eu volte pra dizer o que eu achei. :)

"Posso acreditar em coisas que são verdade e posso acreditar em coisas que não são verdade. E posso acreditar em coisas que ninguém sabe se são verdade ou não."

Por: Mariane

1 de jul de 2017

Resenha: Por um toque de ouro (Trindade Leprechaun #1), Carolina Munhóz


Editora: Rocco
Número de páginas: 272
Data de lançamento: Junho de 2015


          'Por um toque de sorte' é o primeiro livro da trilogia Trindade Leprechaun, escrita pela talentosa Carolina Munhóz. Esse é meu segundo livro da autora, sendo 'O Inverno das Fadas' o primeiro livro resenhado aqui no blog (você pode conferir aqui). Minha experiência com o primeiro livro da autora foi satisfatória, porém não me conquistou por inteiro por conta de problemas na construção dos personagens e a narrativa arrastada.

          Porém, tais problemas não voltaram a surgir nesse livro, lançado aproximadamente dois anos depois do anteriormente resenhado. Pode-se notar um enorme aprimoramento na narrativa e uma maturidade antes inexistente. Com uma protagonista cativante, personagens secundários bem construídos dentro da história, e claro, uma narrativa objetiva, me vi envolvida com na história contada.

          Diferente de Sophia Coldheart (de O Inverno das Fadas), Emily O'Connel é humana, porém dotada de um toque de ouro, pelo fato da moça ter sangue de Leprechaun. Esse fato é por ela desconhecido durante quase metade do livro, fato que me incomodou um pouco, sendo que a primeira parte do livro é dedicado apenas a apresentação do mundo em que a garota vive: badalações, paparazzis, sedução. Isso porque Emily é a herdeira de um enorme império da moda construído pelos pais, e é uma grande influenciadora e figura pública na Irlanda.

         A vida de Emily da um giro a partir do momento em que conhece Aaron, um americano misterioso que começa a questionar toda a sua vida regada a sorte e bons momentos. 

          Como dito anteriormente, me apeguei a personagem de Emily, e o fato dela ser uma garota mimada e um tanto egoísta não me incomodou durante a leitura, pois existe um contexto por trás de sua personalidade. Darren, seu melhor amigo, garante um bom alívio cômico e, para mim, foi o grande destaque do livro. Um romance bem trabalhado também foi um ponto positivo na história, assim como a grande reviravolta no final (mesmo eu já tendo adivinhado a algum tempo).

          Enfim, um ótimo livro de introdução, e me deixou com muita vontade de ler o próximo. Ansiosa para ver o crescimento dessa escritora de enorme potencial.

Por: Mariane

4 de jun de 2017

Relendo e redescobrindo: O apanhador no campo de centeio, J.D. Salinger


          Esse é um post de releitura, portanto contém spoilers da obra. Para ler a resenha, clique aqui.

          Nesse mês de Maio resolvi reler um dos meus livros favoritos DA VIDA. Fico meio com pé atrás quando o assunto é releituras - afinal, temos tanto livros pra ler, tantas metas, e vamos "perder tempo" lendo novamente um livro? Mas creio que certos livros não só merecem uma segunda leitura, como necessitam.

          Esse é o caso de O apanhador no campo de centeio, o clássico de J.D. Salinger, publicado em 1951. Eu o li pela primeira vez em 2015 e me apaixonei pela obra, pela escrita, pela humanidade do personagem protagonista, Holden. Desde suas reflexões a respeito da sociedade - que no início podem parecer exageradas e mesquinhas, mas com o passar das páginas entendemos todo o contexto que o personagem está inserido, como a morte do irmão mais novo e o suicídio de um amigo - até a própria personalidade do garoto, que possui um grande amor pelas crianças (que pode ser representado pela explicação do título do livro) e uma enorme sensibilidade.

          Durante o fim de semana que Holden vaga por Nova York e se mete em confusões envolvendo prostitutas e cafetões, reencontra velhos amigos, professores e namoradas, podemos acompanhar por meio de sua narração suas duras críticas em relação à sociedade em geral, a falsidade que envolve as relações, a maneira como as pessoas não ouvem umas às outras e como agem, e até mesmo críticas ao cinema, teatro e artistas em geral. Ninguém se salva dos julgamentos de Holden: com exceção das crianças.


As pessoas sempre aplaudem as coisas erradas

          Durante a história, podemos perceber a paixão de Holden pelas crianças, que pode ser explicada pela perda do irmão mais novo. Ele vê em sua irmãzinha de dez anos, Phoebe, o ser mais perfeito, compreensivo e inteligente do mundo, quando na verdade sabemos que ela não passa de uma criança curiosa. Quando questionado a respeito do que deseja ser, Holden diz querer ser um apanhador no campo de centeio - ele imagina crianças brincando em um  campo de centeio localizado em um precipício, e ele seria o responsável por não deixar as crianças desabarem. Existem diversas interpretações para essa passagem (não só essa, mas diversos outros trechos) e é o que torna a obra tão especial e única. O que para alguns que criticam o livro não se passa de páginas e mais páginas de um adolescente rabugento "reclamando da vida", para mim a obra se trata de um jovem em profunda depressão - e com indícios de que foi abusado sexualmente, diga-se de passagem - e com um coração enorme, necessitando urgentemente de ajuda.


"A vontade que tive foi de me matar: tive vontade de me atirar pela janela. Provavelmente teria teria pulado mesmo, se tivesse a certeza de que alguém ia me cobrir assim que eu me esborrachasse no chão. Não queria é que um bando de imbecis curiosos ficassem me olhando quando eu estivesse todo ensanguentado."

          Um livro magnífico em todos os sentidos. Desejo lê-lo novamente, dessa vez em inglês, porque apesar da tradução MARAVILHOSA realizada pela Editora do Autor, creio que alguns termos são inevitavelmente perdidos na tradução. 

          Holden, estou com você, e vou te defender sempre! Hahaha.

Por: Mariane

31 de mai de 2017

Resenha: O Mar Infinito (A 5ª Onda #2), Rick Yancey


Editora: Fundamento
Número de páginas: 248
Data de publicação: Setembro de 2014

Cassie Sullivan e seus amigos sobreviveram às quatro ondas de destruição provocadas pelos Outros. Agora, com a raça humana quase exterminada e a 5ª Onda encobrindo a Terra, os sobreviventes devem escolher: encarar o inverno e esperar o retorno de Evan Walker ou partir à procura de abrigo antes que o inimigo os alcance. Porque o próximo ataque é mais do que possível – ele é inevitável. Os homens ainda não viram as profundezas até onde os Outros podem descer nem os Outros viram a que alturas a humanidade pode se erguer. Esta é a derradeira batalha entre vida e morte, esperança e desespero, amor e ódio.


            Após uma experiência agradável com o primeiro livro da série (e filme), "A 5ª Onda", resolvi dar uma chance à continuação que prometia responder algumas perguntas deixadas ao final do primeiro romance. E eu, que sou a louca das distopias (pelo menos, era), sempre gosto de me atualizar um pouco nas séries infanto-juvenis do gênero. Demorei um pouco para pegar o segundo livro, então comecei a leitura me lembrando de pouquíssimas coisas que haviam acontecido, o que me deixou extremamente confusa em relação à localização dos personagens (o que o autor não faz muita questão de esclarecer).
            
            Não refrescar a memória do leitor em relação aos acontecimentos prévios é apenas um dos muitos problemas de "O Mar Infinito". Consideravelmente menor que o livro anterior, tudo o que eu conseguia pensar ao virar as páginas era como esse foi um livro desnecessário em todos os sentidos. Literalmente nada acontecia com Cassie e seus amigos refugiados e os personagens perderam grande parte da carisma conquistada no primeiro romance.

            A escrita empobrecida e confusa - tenho dúvidas se pode ter sido responsabilizada pela tradução, que deixou muito a desejar com erros grotescos de pontuação e concordância - dificultou muito a minha experiência e diversas vezes tive vontade de desistir. Diálogos fracos e a narrativa em primeira pessoa com pensamentos soltos e aleatórios me irritavam profundamente.

            A verdadeira ação é reservada para as últimas páginas do livro, narradas da perspectiva da única personagem verdadeiramente interessante - e com quem eu realmente me importei - na história. Porém, nem mesmo as revelações, um romance um pouco menos forçado e o desenvolvimento da personagem me encorajaram a dar continuidade na série. Me despeço aqui de "A 5ª Onda", que tinha uma boa proposta e possibilidade de se desenvolver, mas apresentou um livro fraco e irrelevante. Não foi dessa vez, Yancey.

Por: Mariane

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